Faltam três dias para a minha morte, Amor.
O que fazes tu? Olhas, esperas, pensas – que és deus?
Um deus? Dois deuses? Faltam três dias para a morte,
E tu apenas ficas sentado, olhando, ignorante, o céu.
Que fazes tu? Esperarás, talvez, e não me vais impedir.
Faltam dois dias para a minha morte, Amor.
O que fazes tu? Continuas sentado, cigarro aceso entre os dedos,
Leve odor almiscarado e canela e cereja e tudo aquilo que fumas.
Sempre te amei por isso. Sempre pareceste um deus. Dois deuses?
Não és assim tão ignorante, mon amour, e vais aprender isso um dia.
Que fazes tu? Ficas parado, sem pensar, sem correr atrás do ser em que me tornei.
Falta um dia para a minha morte, Amor.
O que fazes tu? Estou ao lado do mar azul, das ondas bravas, perto daquilo que todos admiramos e tememos.
O fogo vermelho que outrora tu sentias faz-se ouvir na repercussão do teu coração, novamente.
Mas qual coração? Fugiste.
Foges sempre, não?
Que fazes tu? Olhas para mim, enquanto entro na água fria, faca do céu fulminante.
Morri.