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querida eminência,

Faltam três dias para a minha morte, Amor.

O que fazes tu? Olhas, esperas, pensas – que és deus?

Um deus? Dois deuses? Faltam três dias para a morte,

E tu apenas ficas sentado, olhando, ignorante, o céu.

Que fazes tu? Esperarás, talvez, e não me vais impedir.

Faltam dois dias para a minha morte, Amor.

O que fazes tu? Continuas sentado, cigarro aceso entre os dedos,

Leve odor almiscarado e canela e cereja e tudo aquilo que fumas.

Sempre te amei por isso. Sempre pareceste um deus. Dois deuses?

Não és assim tão ignorante, mon amour, e vais aprender isso um dia.

Que fazes tu? Ficas parado, sem pensar, sem correr atrás do ser em que me tornei.

Falta um dia para a minha morte, Amor.

O que fazes tu? Estou ao lado do mar azul, das ondas bravas, perto daquilo que todos admiramos e tememos.

O fogo vermelho que outrora tu sentias faz-se ouvir na repercussão do teu coração, novamente.

Mas qual coração? Fugiste.

Foges sempre, não?

Que fazes tu? Olhas para mim, enquanto entro na água fria, faca do céu fulminante.

Morri.

Sobre Afonso Ferreira

Nunca sei o que hei de escrever nestas coisas, hm.

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